Sequência de: A Harmonia dos Sete Princípios - Consciência: a Luz que integra corpo, mente e espírito
PRESENÇA
O primeiro princípio da arquitetura da consciência
Este princípio está umbilicalmente ligado ao “agora”, o momento presente. Ele estabelece que a existência ocorre “agora”, pois não há existência no passado ou no futuro. Portanto, se consciência é percepção, ela somente se manifesta quando a atenção está focada no presente, o único instante em que há algo a ser percebido. Ele é o primeiro princípio, do ponto de vista estrutural, porque determina a arena para a qual todos os demais convergem em uníssono, quando a consciência os acolhe no “agora”.
Conceber a Presença implica transcender conceitos aprendidos no bojo da tridimensionalidade do plano material, em que os sentidos e a razão são os únicos instrumentos disponíveis para a percepção do Universo. Quando se alude à presença, no sentido convencional, faz-se referência à condição de se estar em algum ponto do tempo e do espaço, quando neste ponto um evento ocorre. No contexto em que o termo se refere a um princípio da consciência, o sentido é o mesmo, com a diferença de que os conceitos de tempo, espaço e evento devem ser revistos.
O tempo - É concebido como a linha eterna, contínua e ininterrupta, de instantes consecutivos, composta de três momentos: passado, presente e futuro, em que o momento que estamos vivendo “agora”, se chama “presente”. Podemos medir o passado e o futuro em dias, horas, minutos ou qualquer outra medida de tempo: “Foi uma viagem de três dias”, “a consulta durou uma hora”, “vamos fazer um minuto de silencio”. Mas...e o presente, o agora? Em que medida de tempo devemos dimensioná-lo? Seria o mês corrente? O dia de hoje? A hora que passa, o tic-tac de cada segundo?
Se o minuto atual é o agora, então, existem minutos passados e minutos futuros na hora que passa. Se o segundo que agora soa no relógio é o presente, então, existem segundos que já soaram e que ainda soarão no minuto que passa. Divida o segundo, o décimo de segundo, o centésimo, milésimo de segundo e assim indefinidamente e, é lógico imaginar que o mesmo processo ocorrerá, embora longe da percepção dos sentidos humanos. Ou seja, por menor que seja a medida de tempo, em sua eterna possibilidade teórica de divisão, sempre haverá passado e futuro, restando, inevitavelmente, um novo presente que também pode ser assim dividido. Qual então a medida do presente, do agora?
O agora não pode ser medido, simplesmente porque não tem dimensão. Nas sucessivas tentativas de encontrá-lo, pela divisão de unidades cada vez mais ínfimas de tempo, o “agora” se dissolve no infinito, numa dimensão não temporal, numa dimensão sem dimensão. O agora não existe na linha do tempo, onde o passado é apenas lembrança e síntese de experiências, e o futuro é expectativa.
Indo além, se o passado é uma sucessão de “agoras” que já aconteceram, e o futuro uma sucessão de “agoras” ainda em gestação, passado e futuro são apenas materializações mentais de eventos, já ocorridos ou ainda esperados. Mas se tais eventos ocorreram ou ocorrerão numa dimensão – o agora - que não tem existência mensurável, então passado e futuro, feitos de agoras também não podem ser mensuráveis. Este é o sentido de afirmações filosóficas de que o tempo não existe! E não existe mesmo!
Então, em que ponto do tempo ocorre a Presença? Ela somente pode ocorrer... no infinito, o reduto atemporal do agora! É nesse lapso de tempo - lapso em seu sentido de ausência – que a Presença acontece. A Presença ocorre no infinito, em uma dimensão de não tempo. Passado (lembranças) e futuro (expectativas) não carregam existência. A existência acontece no “agora”, fora da linha imaginária do tempo. Ela jorra do portal entre tempo imaginário e não tempo, materializando-se a cada pulsação quântica do Universo, e é determinada pela vontade criativa de Deus (o Criador) e dos homens (Seus cocriadores). De cada pulsação do “agora” jorra uma nova configuração do universo, cuja existência brota do campo infinito de possibilidades quânticas - o agora - comandada pela ressonância vibratória das consciências.
No entanto, aos sentidos humanos, a vibração quântica do Universo - entre tempo e não tempo - não é percebida, produzindo a impressão de permanência sólida, como na ilusão da densidade absoluta da matéria, e de continuidade temporal permanente, como nos roteiros da dinâmica da vida. É nesse limiar, entre o finito e o infinito, que a Presença acontece, saboreando consciente a existência, no instante fugaz de sua concepção.
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E o espaço, como deve ser compreendido em relação à Presença?
Não perca o próximo “capítulo”!