O SALTO DA CONSCIÊNCIA
Para muito além de um Deus distante
As crenças e paradigmas que nos ensinam durante a vida induzem a acreditar que a natureza, o ser humano, o planeta Terra, as estrelas e toda a criação são o resultado de um milagre realizado por um Deus distante – como querem as religiões – ou da evolução de processos simples que se repetem e se tornam complexos por necessidade de adaptação – como quer uma visão científica simplista, que não consegue explicar como surgiram os processos simples ou como surgiu o impulso adaptativo destes processos.
Ambas as visões são reflexos da necessidade de justificar o propósito e de afirmar a autoridade de institutos religiosos e científicos, diante de uma humanidade espiritualmente e cientificamente “leiga”, cuja consciência apenas começa a questionar essa autoridade, para se lançar na trilha do autoconhecimento. E, na visão das tradições milenares e do esoterismo moderno, autoconhecimento é igual a cosmoconhecimento pois, nessa visão, a ideia central é a de que o microcosmo (ser humano) possui em si mesmo o macrocosmo (a própria fonte criadora).
O despertar da consciência leva inevitavelmente à reflexão de que a razão e os sentidos humanos não foram projetados para compreender a verdade última, como tenta a ciência e como fantasia a religião. É preciso transcender os limites dos sentidos e da razão para uma abertura ao saber que murmura, à luz que não se aprende, ou seja, à percepção intuitiva vinda dos planos superiores, que transcendem a própria existência como a concebemos.
Quando se atinge essa compreensão, o Universo, ou seja, o verso do Uno, pode ser naturalmente entendido como a manifestação de uma Inteligência Cósmica Universal, ou o nome que se queira atribuir ao Sem Nome, a Deus. Não um Deus distante, mas uma energia cósmica não dimensional, que, se é Uno na essência – seu estado não manifesto – é múltiplo em sua manifestação, na qual sua essência Una está presente. Não há como o Uno, o Potencial, não estar presente na realização deste Potencial. Seria como dizer que o DNA do pai não está presente no filho.
Uma visão desse teor, aparentemente mística, é o resultado do salto a um nível superior de consciência, do qual, embora não se consiga enxergar a verdade suprema, consegue-se enxergar a si próprio num patamar inferior. Este “si próprio” é o ego que não deixa de existir porque foi transcendido, mas agora se projeta para uma versão que se expandiu numa esfera de compreensão mais abrangente. Ver a si próprio num estado mais limitado, a partir de uma esfera superior, traz a convicção de que “Eu não sou meu ego, Eu sou o que enxerga o ego”.
A percepção desta transcendência é a consciência de ser consciente - em oposição à inconsciência de ser inconsciente, estado em que permanece a maior parte da humanidade. Essa percepção traz a certeza do potencial de evolução inerente ao ser, que revela algo que o atrai para o vórtice evolutivo. Aí começa a verdadeira jornada, aí começa a parceria com o “algo” que o atrai, numa aventura inenarrável, plena de propósito e motivação.
Quando este estágio de consciência é atingido, como imaginar que ele possa coexistir com qualquer estado de ser que não seja um estado de paz, harmonia e êxtase?