O acesso consciente aos planos superiores – mais sutis - do ser, pode se dar pela transposição da atenção, do mundo exterior para o mundo interior. Neste contexto, o mundo exterior é a fonte dos estímulos e apelos ao ego; e o mundo interior são as sensações, emoções e pensamentos manifestados a partir desses estímulos e apelos. Embora estas manifestações no mundo interior ocorram num patamar limitado de consciência - emocional e mental - este nível inferior pode ser o “trampolim” para se atingir níveis superiores, quando a atenção é focada nele. Porque:
A Unidade Integral do ser humano é composta de sete corpos, desde o físico – o mais denso – até o “átmico” ou a centelha da própria Fonte Criadora imbuída no ser - o mais sutil. Estes sete corpos se agrupam em dois conjuntos: O inferior – ao qual nossa consciência tem pleno acesso – composto do corpo físico/vital, emocional e mental; e o superior, onde vibram o Amor Universal, a capacidade intuitiva e a Presença da própria Fonte Criadora. A esse nível, nossa percepção sensória e racional não tem acesso. No entanto, é possível canalizar aos corpos inferiores os influxos emanados dos corpos superiores - o Amor Universal, a capacidade intuitiva e a Presença da Fonte Criadora - desde que os canais que conectam todos os sete corpos do ser estiverem desobstruídos.
Esse conjunto de sete corpos se integra de maneira indissociável e opera interativamente, tendo a consciência como o pêndulo que oscila entre os mais densos e os mais sutis. Despertar a consciência significa fazê-la ascender na hierarquia do espectro vibratório dos corpos, em busca do autoconhecimento: do conhecimento de que a Fonte habita no ser.
Assim, ainda que a atração exercida pelo magnetismo cósmico para a elevação da consciência seja inevitável, engajar-se conscientemente nesse processo implica sintonizar nele a atenção, pela introspecção. Mas a atenção não pode acessar diretamente os campos sutis, pois, ela mesma está circunscrita aos corpos inferiores, os únicos aos quais tem acesso: emoções, sensações, sentimentos, pensamentos e raciocínio.
No entanto, o foco da atenção nas manifestações dos corpos inferiores pode abrir os canais de sintonia com o influxo das energias de alta frequência emanadas dos corpos superiores. Focar a atenção na percepção dos corpos inferiores, significa desligá-la do burburinho mundano - ao qual se liga a serviços do ego - desviando-a para a percepção das emoções, pensamentos e sentimentos, eles mesmos, que brotam desse burburinho.
Vivenciar as manifestações dos corpos inferiores é diferente de ter consciência delas pela atenção, é diferente de percebê-las na consciência. Quando a atenção é prisioneira dos apelos do mundo exterior, a sintonia entre campos inferiores e superiores se torna impossível. Mas, quando ela se volta para o interior do ser, e percebe as manifestações de seus corpos inferiores, sem qualquer crítica ou julgamento, cessa o barulho mundano e surge a paz produzida pelo contato com os campos sutis da essência. Isso ocorre porque a atenção, que antes se colocava ao nível dos corpos inferiores para perceber o mundo exterior, agora sobe de patamar para perceber, de cima, o que ocorre nos corpos inferiores.
Quando a atenção passa a operar a partir deste patamar superior, ela deixa de ser o vetor do ego em sua voracidade pelas coisas mundanas. Ao perder a propulsão da atenção, o ego perde a voracidade, permitindo o influxo das energias sutis.
Dominar o ego é dominar a atenção!